Segue o líder!

| Por Lui Chaves 
Lá se vão dez temporadas de domínio absoluto na Espanha, e um empate – até o momento - a nível europeu


Com o título da Copa do Rei conquistado no último sábado (21) contra o Sevilla, o Barcelona vai completando 10 temporadas de uma liderança incontestável nas competições domésticas. Os 5 a 0 humilhantes sobre o time da Andaluzia, deram ao Barça a quarta conquista consecutiva da Copa Nacional Espanhola, vulgo Copa do Rei da Espanha. Nessa competição, já são 6 títulos nas últimas 10 edições, sem contar que os blaugranas ergueram essa taça pela trigésima vez – lembrando que a Catalunha quer independência. “Que situação hein, Rei Felipe?”

Fora o Barcelona, Real Madrid (2), Atlético de Madrid (1) e Sevilla (1) também ganharam a Copa do Rei nos últimos 10 anos. O que deixa ainda mais evidente o domínio culé, se observarmos quantas taças cada um levantou no período.

Falando em Liga Espanhola a hegemonia fica ainda maior. São 7 conquistas em 10 edições; vencemos simplesmente 70% das ligas nas últimas 10 temporadas, algo inimaginável a alguns anos, em se tratando de uma liga que comporta os dois maiores clubes do Mundo, Real e Barça. Real Madrid (2) e Atlético (1) também se sagraram campeões nacionais ao longo dos últimos 10 anos... ok, né?
Obs: até o fechamento da matéria o Barça ainda não havia confirmado matematicamente o título espanhol. O que convenhamos, é questão de tempo.

Artilharia

A artilharia é um quesito que poderia ter havido alguma competição mais acirrada. Poderia, mas não houve! Tanto na Copa do Rei, quanto na Liga Espanhola, o Barcelona teve o artilheiro em 6, das 10 edições. E claro que não dá pra falar de gols e não citar Lionel Messi. O Rei Felipe entregou nas mãos do camisa 10 culé o troféu de artilheiro da sua Copa de estimação em 5 oportunidades: 2009, 2011, 2014, 2016 e 2017. Sem contar 2015, onde o premiado blaugrana da vez foi o brasileiro Neymar Jr.

“Liga Espanhola... Ah, querida Liga Espanhola.” Em termos de artilharia da Liga não podemos ignorar o instinto matador de Lionel Messi, perfeitamente desenhado na temporada 2011-12, quando “la pulga” terminou aquela edição com impressionantes 50 gols marcados, um recorde na história das Ligas europeias. O maior jogador da História ainda foi o goleador das edições 2009-10, 2012-13, 2016-17 e 2017-18 (2018 até o momento, já que a Liga ainda não acabou). Luisito Suárez também marcou presença no período, tendo sido o máximo artilheiro na temporada 2015-16. 

Somando as duas competições mais importantes do país, o Barça venceu 13, das últimas 20 edições de Liga e Copa, um absurdo! Sobraram apenas 7 edições para serem divididas entre Real Madrid (4), Atlético (2) e Sevilla (1). “Um passeio ao parque nacional!” Isso que não levamos em consideração a Supercopa da Espanha, da qual vencemos 5 de 10. Um pouco mais humilde, metade da ‘mascada’.

Europa

Vamos negar a força do nosso maior rival, o Real Madrid? Obviamente que não, não há possibilidade de isso ter fundamento. Ignorando seus primeiros seis títulos financiados pelo regime do Ditador Francisco Franco – junto com uma pilha de Ligas Nacionais – os madridistas tem 6 conquistas genuínas da competição, e em 2018 seguem na disputa pelo tricampeonato consecutivo. Aqui não existe hipocrisia, temos sim que exaltar o desempenho do rival na competição europeia e nos preocupar com as recentes eliminações do Barcelona em quartas de finais. “Ah, mas o Barça só ganha competição doméstica.” Bom, ouço essa frase de alguns amigos madridistas, como isso fosse algum demérito, mesmo que não tenha uma base real para tal alegação. É papo furado! Nos últimos 10 anos estamos empatados em títulos internacionais. Liga dos campeões (3-3), Mundial de Clubes (3-3) e Supercopa da Europa (3-3). Existe alguma hegemonia na década? Fica bem claro que não!   Claro, pode haver uma vantagem a partir de 2018 em caso de conquista dos madridistas na Champions, mas até o momento nada feito.

Nada de ilusão

Um clube como o Barcelona, com o patamar que foi alcançado; é inegável que a necessidade de conquistar títulos internacionais é gigante. Mas tudo que se faz a nível internacional, tem que ter como base um bom dever de casa, isto é, no seu país você precisa estar em evidência. A Catalunha vem dominando o futebol espanhol por meio do Barcelona, e isso é algo gigantesco. Mas a direção culé tem a obrigação de voltar a dar uma atenção especial a dois pontos fundamentais para o desenvolvimento do clube. São eles: ‘La Masia’ e Liga dos Campeões. E um tem uma conexão absurda com o outro. Foi cuidando e aprimorando a base – la masia – que conquistamos, quase que de forma artística, cinco edições da Liga dos Campeões.

Base trabalhada, Europa conquistada!

Em 1992, na vitória por 1 a 0 em Wembley contra a Sampdoria, tínhamos no elenco 5 canteranos (Albert Ferrer, Guardiola, Sacristán, Carles Busquets e Goikoetxea). No bicampeonato de 2006, contra o Arsenal de Thierry Henry, ‘la masia’ estava representada por 7 jogadores (Valdés, Oleguer, Puyol, Jorquera, Iniesta, Xavi e Messi). Em 2009 o adversário era o Manchester United de Cristiano Ronaldo, a base blaugrana esteve em Roma com um time titular completo, mais o treinador. Foram 11 jogadores (Valdés, Puyol, Piqué, Busquets, Xavi, Iniesta, Messi, Pinto, Muniesa, Bojan e Pedro), sendo 7 titulares. No banco, assim como aconteceria também dois anos depois em Wembley, Pep Guardiola comandava a equipe com suas ideias inovadoras que mudaram a história desse esporte. Contra o United – mais uma vez – em 2011, 10 canteranos na equipe campeã (Valdés, Piqué, Busquets, Xavi, Iniesta, Messi, Pedro, Olazábal, Puyol e Thiago Alcântara). E como já supracitado, o também canterano Guardiola comandou a equipe do banco de reservas. 

Em 2015 tivemos mais uma boa representatividade, mas já chamava a atenção a falta de renovação das peças. O pentacampeonato conquistado em Berlim contra a Juventus de Turim, contava com 9 jogadores formados nas oficinas blaugranas (Piqué, Alba, Busquets, Iniesta, Xavi, Messi, Bartra, Rafinha e Pedro). Porém, as únicas novidades - comparados a conquista de 2011 - foram as chegadas de Bartra e Rafinha, que jamais foram titulares do time. É evidente que o nosso “DNA” é construído no nosso quintal, é preciso retomar esse caminho.

Somos os maiores campeões nacionais da Europa na última década. O que pode se transferir para o continente se ‘la masia’ voltar a dar o ar da graça para o futebol mundial.

Segue o líder!