90 minutos, e uma temporada estonteante posta em dúvida


| Por Lui Chaves 
“Que desastre, o Barcelona foi eliminado pela Roma, e por isso Valverde não serve mais para ser o comandante da esquadra azulgrana”.

A triste realidade do ‘desdém’ aos números incontestáveis do senhor Ernesto Valverde no comando do maior clube do Mundo. Sim, que a Liga dos Campeões é o grande objetivo da temporada todos os anos, isso todos nós sabemos. Mas vamos avaliar o primeiro ano de Dom Ernesto no comando blaugrana, partindo do seguinte princípio: o começo!

Após a saída de Luís Enrique, ao fim da temporada 2016-17, várias eram as especulações que rondavam o Camp Nou. Chegou falava-se do argentino Sampaoli, então técnico do Sevilla. O alemão Jürgen Klopp, também foi alvo de boatos vindos da imprensa europeia. Porém o escolhido para o desafio foi Ernesto Valverde, vulgo Txingurri. Contratado por sua ligação com o clube, e por seus bons trabalhos em Athletic Bilbao e Olympiacos, o treinador de 54 anos teve – logo de cara - que enfrentar a tempestiva saída de Neymar, sendo obrigado a mudar radicalmente o modelo de jogo da equipe. As derrotas assustadoras para o Real Madrid nas partidas pela Supercopa da Espanha, deram a entender que a temporada seria um completo desastre; o que se mostrou enganoso com o decorrer dos meses.

Valverde teve coragem, foi homem o suficiente para fazer com que um time acostumado a dar espetáculo, adota-se um pragmatismo difícil de entender, ao mesmo tempo necessário para corrigir problemas defensivos crônicos. No entanto, mais irritante do que o pragmatismo apresentado no jogo blaugrana, é o questionamento idiota dos números e do trabalho realizado pelo treinador nos últimos 8 meses. Ao todo o Barcelona disputou 51 partidas oficiais na atual temporada; com 37 vitórias, 11 empates e 4 derrotas. Os comandados de Valverde marcaram 118 gols e sofreram apenas 30; um absurdo saldo positivo de 88. A devastadora derrota contra a Roma no jogo de volta da Liga dos Campeões, foi a única, em 10 aparições da equipe na competição.

A fatídica eliminação para os italianos deve ser esquecida? Evidente que não! É preciso recuperar a força no continente. Mas não vamos esquecer que temos a oportunidade de sermos campeões invictos da Liga, e de vencermos a Copa do Rei pelo quarto ano consecutivo. Ao pensar nisso eu me lembro daquele início difícil e conturbado que tivemos em agosto e, percebo o quão positivo é o balanço final. O Barça é um Gigante, um Gigante que passou na última terça feira (10) por uma situação atípica para um clube de tal magnitude. O que jamais devemos nos esquecer é que do outro lado há um adversário, que precisa ser respeitado e enfrentado de maneira séria e responsável. Além de a derrota do Barça, existiu a vitória da Roma, merecida e incontestável. Como isso nunca é lembrado, a curta memória do futebol entra em campo, e tudo aquilo que parecia perfeito, fica pequeno mediante a tal fracasso. Lamentável realidade do Futebol.