O histórico de Barça-Chelsea: a consagração blaugrana


| Por Lui Chaves 

Barcelonista que se preze, sabe que o ano de 2006 foi mágico, foi o auge de uma equipe que já encantava a quase 3 anos. O futebol é feito de resultados, e a Uefa Champions League daquela temporada deu ao time de Frank Rijikaard o resultado que lhe faltara; a consagração europeia. Essa temporada marcou também a promoção em definitivo de Lionel Messi para o time principal, onde à partir dali, 'la pulga' passaria a assombrar o mundo do futebol.

Com um time bem armado e com uma base sólida, as contratações foram bem modestas. O clube não gastou sequer 1 euro para contratar jogadores. As únicas aquisições foram as de Messi, que veio do Barça-B; Ezquerro e Van Bommel, que chegaram a Catalunha a custo zero, vindo de Athletic Bilbao e PSV - respectivamente.

Por outro lado, o Chelsea investiu um bom dinheiro para tentar repetir a boa temporada que havia feito um ano antes. E como veremos mais adiante, os planos deram certo, apesar de não terem ido muito longe na Champions - o principal objetivo dos clubes europeus. Jogadores como Wright Phillips e Essien, chegaram para reforçar o plantel junto com outros atletas; um gasto de 54,4 milhões de Libras.

O Barça avançou para as oitavas de finais após passar em primeiro no Grupo-C. Os Blaugranas terminaram com 16 pontos; 5 vitórias, 1 Empate e nenhuma derrota. Além do Barcelona, Werder Bremen (2º), Udinese (3º) e Panathinaiskos formavam a chave.

Os blues classificaram-se em segundo no Grupo-G; com Liverpool (1º), Real Betis (3º) e Anderlecht (4º). O time de José Mourinho chegou a 11 pontos; com 3 vitórias, 2 empates e 1 derrota.

O sorteio mais uma vez uniria Chelsea e Barcelona para a disputa de mais dois grandes jogos, e pelo segundo ano seguido, já nas oitavas.

Stamford Bridge, 23 de fevereiro de 2006 | Chelsea 1-2 Barcelona - Oitavas de finais

Ficha técnica

Escalação do Chelsea: Pter Cech; Asier Del Honor, Ricardo Carvalo, John Terry e Paulo Ferreira; Claude Makelele, Joe Cole e Frank Lampard; Crespo, Robben e Gudjohnsen.

Reservas: Carlo Cudicini, Maniche, Damian Duff, Geremi, Didier Drogba, Wright-Phillips e Huth.

Escalação do Barcelona: Víctor Valdés; Oleguer, Rafael Márquez, Carles Puyol e Van Bronckhost; Edmílson, Thiago Motta e Deco; Ronaldinho, Lionel Messi e Samul Eto'o.

Reservas: Jorquera, Belletti, Larsson, Ezquerro, Sylvinho, Van Bommel e Andrés Iniesta.

Árbitro: Terje Hauge (Noruega)

O jogo

O confronto em Londres foi bem ao estilo Barça e Chelsea; jogo franco e com muitas chances de gol. Os dois treinadores aplicaram o mesmo esquema tático, o 4-3-3, sendo que os catalães apostaram em um time mais leve na frente, enquanto Mourinho escalou Hernan Crespo, um especialista em bolas aéreas.

A partida foi uma incrível troca de ataques e contra-ataques, aberto e cheio de possibilidades. Do lado blaugrana, Messi e Ronaldinho Gaúcho atormentavam a zaga dos blues; enquanto na esquadra azul, Frank Lampard e seus cruzamentos perfeitos eram motivo de grande preocupação para Márquez e Puyol. O equilíbrio do jogo seria ameaçado aos 37 minutos da primeira etapa, quando Del Horno foi expulso após entrada duríssima em Lionel Messi. A situação obrigou José Mourinho a mexer na equipe antes do intervalo. O meia Joe Cole, deu lugar ao camaronês Geremi, que atuara como volante e manteria a defesa protegida. Mesmo com pelo menos três chances claras para cada lado, os gols ficaram pra segunda etapa.

Se alguém esperou um Chelsea recuado por estar com um jogador a menos, se enganou e muito. Logo na volta dos vestiários, Mourinho sacou Hernan Crespo do time, para colocar o marfinense Didier Drogba, que apesar de atuar na mesma posição do argentino, tinha mais mobilidade. Depois de muitas chances criadas dos dois lados, o primeiro gol do jogo saiu em uma trapalhada da zaga barcelonista, mais precisamente do volante Thiago Motta. Aos 14 minutos, Frank Lampard cobrou falta pra entrada da pequena área, o volante se jogou na frente da bola atrapalhando o goleiro Victor Valdés, e assim, empurrando a bola pro gol. Chelsea, 1 a 0. O resultado não era terrível para o Barça, porém, a atuação estava a altura de um desfecho melhor. Aos 27', John Terry retribuiu o presente, e em falta cobrada por Ronaldinho acabou desviando a bola para o fundo do gol de Pter Cech, 1 a 1.

À partir daí os donos da casa passaram a tentar "cozinhar" o jogo, pois com um jogador a menos era muito difícil manter o ritmo. As entradas de Sylvinho e Larsen, nos lugares de Bronkhorst e Motta; deram mais movimentação ainda ao time de Frank Rijikaard, que chegaria ao gol da vitória faltando 10 minutos para fim. Em lindo cruzamento de Sylvinho pela esquerda, Eto'o acerta linda cabeçada dando números finas ao duelo. Final! Chelsea 1, Barcelona 2. A vitória deu ao Barça a possibilidade de empatar, ou até perder por 1 a 0 no jogo de volta, para garantir a classificação para as quartas de finais. Esplendido!

Camp Nou, dia 7 de Março de 2006 | Barcelona 1-1 Chelsea


Ficha técnica

Escalação do FC Barcelona: Victor Valdés; Oleguer, Rafael Márquez, Puyol e Van Bronckhost; Edmílson, Deco e Thiago Motta; Ronaldinho, Eto'o e Lionel Messi.

Reservas: Jorquera, Belletti, Larsson, Giuly, Sylvinho, Van Bommel e Andrés Iniesta.

Escalação do Chelsea: Pter Cech; Paulo Ferreira, John Terry, Ricardo Carvalho e Gallas; Makelele, Frank Lampard e Joe Cole; Robben, Duff e Drogba

Reservas: Cudicini, Maniche, Hernán Crespo, Geremi, Gudjohnsen, Wright Phillips e Huth.

Árbitro: Markus Merk ( Alemanha)

O jogo

Os dois treinadores mantiveram a postura ofensiva para o jogo de volta. Mais uma vez armados no 4-3-3, Barcelona e Chelsea voltaram a protagonizar um belo espetáculo. José Mourinho fez apenas uma alteração, escalando Drogba no lugar de Hernán Crespo, o objetivo era dar mais movimentação ao time. Frank Rijikaard repetiu a mesma escalação, apostando em um meio de campo criativo, com um ataque leve e habilidoso.

Mesmo com times bastante ofensivos no papel, as ações foram bem mais cautelosas do que na partida de ida em Stamford Bridge. No lado azul e grená, Ronaldinho Gaúcho e o jovem Lionel Messi, voltavam muito para recompor a marcação, fazendo com que a equipe passasse a atuar no 4-5-1, ao invés do 4-3-3 pré estabelecido. Os londrinos também reforçaram um pouco mais o cuidado no meio. Quando no ataque, os jogadores claramente se posicionavam com três meias e três atacantes, mas na recomposição, ficava bastante evidente que Duff se tornara um quarto homem de meio campo, formando o famoso losango. Apesar do planejamento inteligente dos dois treinadores, o primeiro tempo terminou com 3 chances claras a favor do Barça, e uma a favor dos ingleses. Porém, os donos da casa acabaram saindo no prejuízo. Em dividida sem maldade com Lampard, Lionel Messi acabou deixando o campo lesionado aos 23' do primeiro tempo; uma perda bastante significativa para os blaugranas. No lugar do prodígio 'canterano, Rajikaard colocou o sueco Larsson.

A segunda etapa transcorreu da mesma forma: boa marcação e jogadas muito bem articuladas dos dois lados. E, um jogo com tamanho equilíbrio precisa ser decidido por gênios, por jogadores com talentos "sobrenaturais". E em 2006, o único capaz de realizar tais feitos ilógicos vestia a camisa "10" do Barcelona. Diante de tamanha igualdade de um jogo de oitavas de final de Champions League, eis que aos 33 minutos do segundo tempo, Ronaldinho pega a bola na intermediaria, "dibra" quatro defensores do Chelsea e bate com absoluta precisão para vencer o goleiro Pter Cech; um gol antológico! Barcelona 1 a 0.

Após o gol a partida perdeu completamente a organização; o Chelsea partiu de qualquer jeito para o ataque, pois precisara de dois gols para levar a decisão para o tempo extra. Enquanto os catalães estavam tranquilos e à vontade em campo. Portanto, a última jogada realmente relevante aconteceu já nos acréscimos. Aos 46' minutos, o árbitro alemão marcou pênalti de Edmílson sobre Gudjohnsen; Frank Lampard cobrou e converteu. Final; Barcelona 1, Chelsea 1. Os culés encerraram aquela edição da Champions com a taça nas mãos, o tão sonhado Bi-campeonato do competição mais importante do Mundo.

Resumo da temporada do Barcelona: além da conquista da "orelhuda", o Barça também foi campeão da Supercopa da Espanha e do campeonato espanhol; encerrando a Liga 12 pontos à frente do segundo colocado, Real Madrid, e derrotando o Sevilla na final da Supercopa.

Resumo da temporada do Chelsea: mesmo caindo na Champions, os blues tiveram muita coisa pra comemorar. José Mourinho e seus comandados conquistaram pelo segundo ano consecutivo a Premier League, além de derrotar o arquirrival Arsenal, na decisão da Community Shield - equivalente à supercopa da Inglaterra.

No próximo episódio vamos relembrar as semifinais da Champions League de 2009, sem dúvida a eliminatória mais polêmica envolvendo essas duas equipes. Muito obrigado á quem leu até aqui, e até a próxima!