O histórico de Barça-Chelsea: A revanche azul


| Por Lui Chaves 

Temporada 2004-05 | A revanche azul

A temporada 2004-05 era rodeada de muita expectativa para o lado azul e grená do confronto. O time comandado por Frank Rijikaard contava com jogadores como Ronaldinho, Samuel Eto'o, Xavi Hernandéz e Deco; uma verdadeira constelação. Porém, até aquele momento os blaugranas não faziam grande temporada. A eliminação na segunda rodada da Copa do Rei, perdendo para o modesto Gramenet, aliada a vice-liderança no Campeonato Espanhol; eram motivos de grande pressão no Camp Nou. Com isso, eliminar os ingleses do Chelsea nas oitavas de final da Champions era imprescindível para a continuidade do trabalho.

O Blues viveram em 2004-05 uma de suas melhores temporadas - desde a sua venda em 2003. Já pertencente ao Bilionário russo, Roman Abramovich, o Chelsea montou um elenco de grande qualidade. Com um investimento de quase 100 milhões de Libras, os londrinos contrataram jogadores como Petr Čech, Drogba e Arjen Robben, um time projetado para alçar voos maiores, com a intenção de converter um clube grande, em um Gigante.

O time inglês, que era comandado por José Mourinho, classificou-se para as oitavas após ser o campeão do Grupo H, com Porto (2º), CSKA Moscou (3º) e PSG (4º). O Chelsea conquistou 4 vitórias, 1 empate e 1 derrota, terminando a primeira fase com 13 pontos ganhos. O Barça teve mais problemas para passar pelo grupo F. Com as companhias de Milan (1°), Shakhtar Donetsk (3º) e Celtic, os blaugranas terminaram em segundo com 10 pontos; 3 vitórias, 2 derrotas e 1 empate.

Camp Nou, 23 de fevereiro de 2005 | Barcelona 2-1 Chelsea - Oitavas de final

Ficha técnica:

Escalação FC Barcelona: Valdes; Belletti (Gerard 85'), Marquez, Puyol e Van Bronckhorst; Xavi, Deco, Albertini (Iniesta 57') e Giuly (Maxi Lopez 64'); Ronaldinho e Eto'o.

Reservas não utilizados: Jorquera, Sylvinho, Fernando e Abella Perez.

Técnico: Frank Rijikaard.

Escalação do Chelsea: Cech; Terry, Paulo Ferreira, Gallas e Ricardo Carvalho; Makelele, Lampard, Cole (Johnson 70') e Duff (Gudjohnsen 76'); Tiago (Smertin 90') e Drogba.

Reservas não utilizados: Cudicini, Kezman, Geremi e Nuno Morais.

Técnico: José Mourinho.

Árbitro: Anders Frisk (Suécia)



O jogo:

Com a presença de mais de 96 mil torcedores, o Camp Nou recebeu a partida de ida das oitavas de finais daquela edição da Liga dos Campeões. Todos sabiam que um bom resultado em casa era fundamental para o time catalão, pois, jogar em Stamford Bridge já seria complicadíssimo, ainda mais se houvesse a necessidade de reverter um resultado. Os comandados de Frank Rijikaard iniciaram o jogo muito bem, com os dribles do R10 rompendo as linhas adversárias e a movimentação incansável do camaronês Samuel Eto'o , a situação de Terry e Gallas não era nada fácil. Mas, as surpresas do futebol não podem ser previstas, apenas lamentadas ou festejadas. No caso do lateral brasileiro Belletti, a surpresa não foi das melhores. Aos 33 minutos da primeira etapa, Frank Lampard acertou lindo lançamento para Duff, que invadiu a área pela direita e cruzou em direção a pequena área, Belletti - ao tentar cortar - acabou empurrando para o próprio gol. Chelsea, 1 a 0.

O gol inglês não abateu o time de Rijikaard, que seguiu dominando o jogo e criando as melhores oportunidades, principalmente com o trio Ronaldinho, Deco e Eto'o. Aos 22 minutos do segundo tempo, em boa tabela entre Eto'o e Maxi Lópes , o argentino recebe a bola, dá um bonito drible no zagueiro Gallas e chuta com força para empatar o confronto, 1 a 1.

A pressão do Barcelona aumentou ainda mais após a igualdade no marcador. A entrada de Andrés Iniesta no lugar de Albertini deu mais movimentação e inteligencia ao meio campo culé, que criava uma chance atrás da outra. Foi quando aos 28 minutos - apenas 6' após o empate - Maxi Lópes recebe a bola pelo flanco direito, chuta forte e cruzado, no meio do caminho a bola encontra o pé direito do Camaronês Samuel Eto'o, que virou o jogo para o Barça. Os blaugranas continuaram pressionando até o último minuto, mas ficou nisso. Barcelona 2, Chelsea 1. O resultado foi frustrante para o time da casa, pois pelo volume de jogo a diferença deveria ser maior, o que faria muita falta no jogo de volta.



Stamford Bridge, 8 de Março de 2005 | Chelsea 4-2 Barcelona

Ficha técnica:

Escalação do Chelsea: Petr Cech; Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, John Terry e William Gallas; Claude Makelele, Frank Lampard, Joe Cole; Damien Duff, Eidur Gudjohnsen e Mateja Kezman.

Reservas: Cudicini, Johnson, Smertin, Geremi, Parker, Huth e Tiago.

Técnico: José Mourinho

Escalação do FC Barcelona: Victor Valdes; Belletti, Carles Puyol, Oleguer e van Bronckhorst; Xavi, Gerard, Deco e Andres Iniesta; Ronaldinho e Samuel Eto'o

Reservas: Jorquera, Giuly, Maxi Lopez, Sylvinho, Fernando, Albertini e Damia.

Técnico: Frank Rajikaard



Árbitro: Pierluigi Collina (Itália)



O jogo:

O técnico José Mourinho foi bastante ousado na partida de volta, em Londres. Precisando do resultado, o português armou a equipe no 4-3-3, com Gudjohnsen, Duff e Kezman no ataque. Já o Barça, não poderia contar com um jogador importante, o mexicano Rafael Marques. O Zagueiro acabou sofrendo uma lesão na partida de ida e por isso não pôde jogar a decisão, na Inglaterra. Por opção, o Frank Rijikaard não escalou o argentino Maxi Lópes, destaque no primeiro jogo. No lugar dele entrou Andrés Iniesta, que havia feito um segundo tempo extraordinário no Camp Nou.

Assim como aconteceu em Stamford Bridge no ano 2000, no primeiro encontro entre essas duas equipes pela Liga dos Campeões, o Barcelona só acordou após estar perdendo por 3 a 0. Logo aos 8 minutos de jogo, Frank Lampard faz linda jogada pela direita e dá belo passe para Gudjohnsen, que dribla Oleguer sem a menor dificuldade e bate na saída de Valdés, 1 a 0. O resultado já era suficiente para os blues, porém, notando a insegurança do Barça na partida os donos da casa seguiram atacando como se não houvesse o amanhã. Nove minutos depois do primeiro gol, aos 17', Joe Cole chuta da entrada da área, a bola desvia em Oleguer e Victor Valdés faz bela defesa, no rebote Frank Lampard ampliou para o Chelsea, 2 a 0. E como tudo o que está ruim pode piorar, piorou! Aos 19 minutos - ainda na primeira etapa - Lampard - sempre ele - deu um passe magistral para Duff, que ficou cara a cara com o goleiro blaugrana e não teve dificuldades para aumentar, 3 a 0. Um resultado surreal, em menos de 20 minutos o Chelsea já vencia por três gols. O que fazer em uma hora dessas?

O Barcelona resolveu jogar futebol. Com calma e tranquilidade, o time catalão aos poucos foi entrando no jogo. Aos 27 minutos do primeiro tempo após cruzamento de Belletti na área do Chelsea, Paulo Ferreira meteu a mão na bola, pênalti! Assinalado corretamente pelo italiano Pierluigi Collina. Ronaldinho bateu com perfeição no canto direito baixo de Petr Cech, 3 a 1. À partir daí o Barcelona precisaria marcar apenas um gol para se classificar. E ele apareceu ainda na etapa inicial. Deco tocou para o R10 na meia lua da grande área, o gênio brasileiro dominou, e sem se mexer bateu com absoluta precisão e categoria para vencer o goleiro do Chelsea, 3 a 2 para os donos da casa, 3-3 no agregado. Os dois gols marcados fora casa classificariam os culés.

As equipes voltaram para o segundo tempo sem alterações, e o Chelsea não pensou duas vezes; partiu pra cima com tudo desde o primeiro instante. Os primeiros 30 minutos da etapa final se resumiram em duas coisas: ataque do Chelsea e contra-ataque do Barcelona. Esse panorama só foi alterado aos 32', quando o zagueiro John Terry subiu no terceiro andar após cobrança de escanteio, para sacramentar a classificação dos blues. Frank Rijikaard fez de tudo até o final da partida para tentar um gol de empate salvador, mas, o time acabou sucumbindo aos terríveis primeiros 20 minutos, e viu o sonho do "Bi" ficar pelo caminho. Final de jogo: Chelsea 4, Barcelona 2. O time de José Mourinho foi até as semifinais, onde acabou eliminado pelo Liverpool, time que seria vice-campeão daquela edição.

Resumo da temporada do FC Barcelona: Ronaldinho e companhia encerraram a temporada 04-05 apenas com o titulo da Liga; sendo eliminado na segunda fase da Copa do Rei - como já supracitado - e nas oitavas da Champions. Apesar da conquista nacional, a pressão sobre o elenco foi muito forte, o que seria superado apenas no ano seguinte.

Resumo da temporada do Chelsea: Mesmo não conquistando a Liga dos Campeões, a torcida dos azuis de Londres ficou satisfeita com o desempenho na temporada. Os títulos da Premier League e da Copa da Liga, foram bastante comemorados em Stamford Bridge.


Se liga aqui na News, amanhã falaremos sobre o confronto que rolou nas oitavas de final da Champions de 2005-06, onde os blaugranas terminaram com a "orelhuda" nas mãos. Muito obrigado a quem leu até aqui e até a próxima!