Balanço financeiro: Julho de 2017 à Janeiro de 2018

 | Por Lui Chaves 

Clube deve fechar temporada com défice de 17,5 milhões em relação a contratações. Balanço positivo para o controle da folha salarial, que se manteve quase idêntica á temporada passada


Muitos acreditavam que a saída de Neymar, em agosto do ano passado, facilitaria a vida do Barça em termos de contratações, mas, o cenário se apresentou bem diferente. O ingresso de 222 milhões de Euros na conta Blaugrana, fez com que uma inflação desenfreada chegasse ao futebol. As negociações, que na temporada 2016-17 haviam alcançado a casa dos 100 milhões de euros, pularam sem o menor pudor para 140, 150 milhões nas últimas duas janelas; uma alta substancial.
O FC Barcelona, por ser o recebedor da bolada pela venda do brasileiro, teve uma dificuldade imensa para reforçar o seu elenco, pois, o clube que fosse vender um atleta aos culés, tentaria faturar o máximo possível, o que de fato aconteceu. Após muita negociação e um esforço imenso dos atletas; Dembélé e Coutinho foram finalmente contratados. O francês chegou em Agosto, com um salário em torno dos 11 milhões de euros anuais (43 milhões de reais) e custando - sem as variáveis - 105 milhões de Euros (411 milhões de Reais) fixos. Quando chegou da Alemanha, o ex-jogador do Borussia Dortmund era a contratação mais cara da história do clube, ultrapassando Neymar Jr, que chegou do Santos em 2013 por 88,2 milhões de euros. Pois é, mas com o mercado enlouquecido, não demorou muito para que o jovem francês fosse superado. No último dia 11 de Janeiro, o Barcelona anunciou a chegada Philippe Coutinho, que custara a bagatela de 120 milhões de euros (469 milhões de Reais), sendo mais 25 milhões em salários.
A folha salarial é outro ponto que foi trabalhado pela diretoria. No início da atual temporada, com o encerramento do empréstimo de alguns jogadores e a chegada de outros; a folha anual Blaugrana era de 144,2 milhões de euros - já contabilizando as saídas de Neymar e Mateau; e as chegadas de Paulinho, Dembelé, Deulofeu e Semedo. Alguns empréstimos reduziram um pouco os vencimentos do time. Sérgi Samper (Las Palmas), Munir (Alavés), Douglas (Benfica) e Marlon (Nice); aliviaram em 8 milhões anuais os compromissos com salários, fechando em 136,2.
A pretensão da diretoria era de lucrar com as vendas de jogadores pouco utilizados, como Arda Turan, André Gomes e Rafinha. Mas, o clube não conseguiu chegar a um valor satisfatório com as equipes interessadas, por isso, resolveu ceder Arda Turan (Istambul) e Rafinha (Internazionale) por empréstimo com opção de compra. As cessões do turco e do brasileiro, serviram para dar mais um respiro a folha de pagamento do clube azul e grená. A renovação de Lionel Messi em Novembro, elevaram em 20 milhões os vencimentos salariais, chegando a 156,2 milhões de euros. Sem contar as chegadas de Mina e Coutinho, que juntos elevaram a conta em 29 milhões de euros, alcançando a impressionante cifra de 181,2 milhões. Com as saídas de Rafinha, Arda e Mascherano - vendido ao futebol chinês - o Barça conseguiu reduzir para 147,1 a folha anual, um valor bem próximo dos 144,2 do início da temporada.
O investimento em reforços foi o grande problema para as finanças da instituição. O clube disponibilizou 80 milhões de euros para contratações, que somados as vendas de Neymar, Cristian Tello e Mascherano; contabilizam 311,5 milhões de euros. Um bom número, se não fosse o assombroso aumento dos valores de mercado. A diretoria investiu 329 milhões de euros na aquisição de novos jogadores, um número recorde na história do FC Barcelona. O défice é de 17,5 milhões, algo fora dos planos da administração financeira Blaugrana.
No balanço anual feito pela UEFA, o Barcelona em 2017 faturou 648 milhões de euros, 18 a mais do que 2016. Em contrapartida, o custo com os salários do futebol aumentou em 9,6%, saltando de 134,2 para 147,1 milhões de euros; 22,7% do faturamento total da instituição. Os planos de Josep Maria Bartomeu e sua equipe, são para que o clube tenha disponível para transferências na janela de verão, os mesmos 80 milhões de euros de meados do ano passado, tendo em vista que a contratação de Griezmann parece ser uma realidade. Pra isso, a direção precisa produzir 37,5 milhões em venda de jogadores. Uma parte para cobrir o défice de 17,5 milhões resultantes da temporada atual, e somar mais 20 milhões aos 80 iniciais, fechando assim, os 100 milhões de euros da multa do francês.
Considerando apenas lucros e gastos com transferências
Deixaram o clube:

 
Neymar | PSG | €222 milhões
 Mascherano | Hebei Fortune | €5,5 milhões
 Cristian Tello | Real Betis | €4 milhões
 Mateau | Sporting Lisboa | Fim de contrato
 Sergí Samper | Las Palmas | Empréstimo
 Munir | Alavés | Empréstimo
 Douglas | Benfica | Empréstimo
 Marlon | Nice | Empréstimo
 Arda Turan | Istambul |Empréstimo, com opção de compra
 Rafinha | Internazionale | Empréstimo, com opção de compra
 Jordi Masip | Valladolid | Não renovou
Total: + €311,5 milhões

Chegaram:
Philippe Coutinho | Liverpool | €120 milhões
Osmane Dembelé | B. Dortmund| €105 milhões
Paulinho | Guangzhou Evergrande | €40 milhões
Nelson Semedo | Benfica | €35 milhões
Gerard Deulofeu | Everton Fc | €12 milhões
Yerry Mina | Palmeiras | €12 milhões
Marlon | Fluminense | €5 milhões
Total: - €329 milhões | Saldo Final: - €97,5 milhões
Apesar de todos os desafios, podemos dizer que a diretoria se saiu muito bem na condução financeira. As contratações eram necessárias, e não havia como fugir da inflação gerada pela transferência de Neymar. A equipe vem fazendo uma temporada muito consistente no parâmetro desportivo, e as perspectivas para o futuro seguem sendo compatíveis com o tamanho do clube.