A vontade de vencer é maior do que tudo

| Por João Henrique Braga
É curioso notar como as pessoas se interessam tanto em fazer tantas críticas ao Barcelona. Seja sobre a instituição, o clube, ou os jogadores, sempre encontram uma maneira de depreciar a equipe que durante anos foi a grande referência mundial do futebol bem jogado.

E dessa vez não podia ser diferente. Após a contratação, mais que aguardada, de Coutinho ser finalizada e oficializada, o jogador se tornou alvo de diversas críticas. Estas já eram esperadas, principalmente vindas da torcida red. Mas o que chamou a atenção, foi o fato de muitos comentaristas esportivos de diversas mídias terem se posicionado contra a escolha do craque de deixar Anfield e rumar ao Camp Nou.

Dentre os inúmeros comentários feitos sobre a nova contratação do Barça, um merece destaque, pois dizia que o Liverpool jamais será gigante novamente se continuar a vender seus melhores jogadores.

De fato, não podemos discordar. Mas um dos motivos que fizeram jogadores como Suárez e Coutinho deixarem a Inglaterra, foi, sem sombra de dúvidas, a vontade de vencer. Não apenas vencer jogos, mas taças. Conhecer a glória das festas no fim de uma grande partida, e receber em mãos uma bela taça de metal trabalhada nos detalhes que recompense todo o esforço ao longo de uma competição. É esse o seu desejo, e provavelmente de muitos outros do Liverpool. Mas o clube tem vivido apenas do passado. Os reds tiveram Suárez durante três temporadas e Coutinho por quatro, e não foram capazes de criar times vencedores neste tempo para cercar estes craques, afinal, jogadores acima da média merecem um time de primeira qualidade para auxilia-los. O uruguaio deixou Anfield com apenas uma taça (Copa da Liga Inglesa de 2012), enquanto o brasileiro só traz na mala seus recordes pessoais e experiência. Troféus? Nenhum!

Coutinho já tem 25 anos, e as únicas duas taças por clube que possui foram conquistadas em sua passagem sem brilho pela Internazionale, além de ter vencido mundiais de diversas categorias da seleção brasileira de base. Entretanto, ainda não possui nenhum título de expressão pelo qual ele tenha sido diretamente responsável.

Outra afirmação feita também merece atenção. A frase “Trocou um clube pentacampeão europeu por outro que também ganhou a Europa cinco vezes”, composta de diferentes maneiras, foi repetida incessantemente por diversos jornalistas de vários meios diferentes.

É interessante notar que quando Neymar optou sair do Barcelona, muitos foram favoráveis à mudança. Não faltaram discursos dizendo que estava saindo da sombra do Messi, ou que assim como o argentino tem o seu Barcelona e Cristiano tem o seu Real Madrid, Neymar deveria ter um time pra chamar de seu, ou que a mudança o asseguraria de vez um lugar no panteão do futebol, mas em nenhum momento foi questionado o fato de que Neymar estava trocando uma equipe pentacampeã europeia por uma que nunca sequer chegou às finais. Porque quando Ney trocou de camisa a grandeza das equipes não foi levada em consideração, enquanto agora, para Coutinho, é uma das medidas a ser levada em conta? Ok. Não é justo comparar uma equipe que tem cinco ‘orelhudas’ com uma que não tem nenhuma. Mas levando em consideração que o Liverpool também possui cinco ‘canecos’, como o Barcelona, que seja feito o questionamento: qual das equipes tem mais chance de dar a sexta taça europeia para a sua torcida? A reposta é óbvia, e, sem dúvidas, foi um dos pontos que mais influenciou na escolha de Coutinho.

A única opinião contrária à mudança que é compreensível são as que vêm da torcida do Liverpool, que, naturalmente, criou laços sentimentais, que todo torcedor cria com um jogador que veste a camisa de sua equipe com tanto respeito, como ele o fez. Mas agora teve a chance de ir à melhor equipe do Mundo, jogar do lado de alguns dos melhores jogadores, com uma ideia de jogo vencedora – para a qual tem todas as características necessárias para dominar –, e não podemos deixar de falar da chance de empilhar taças e mais taças, ano após ano, afinal o Barça sempre entra como forte candidato a vencer todas as competições que disputa.

Além disso, muito se fala de Phil ter deixado o clube durante a janela invernal, justamente no meio da temporada, deixando o Liverpool que disputará as oitavas de final da Champions, para ir ao Barça, pelo qual não poderá disputar o torneio (por já tê-lo feito com o Liverpool). Mas o jogador estava realmente desesperado para deixar Anfield. Tentou de todas as maneiras fazê-lo ainda no meio do ano, na janela principal, para que pudesse inclusive disputar a Liga dos Campeões como azul-grená, mas não teve sucesso. Sendo assim, após cumprir sua parte do acordo firmado com a diretoria do clube – de que jogaria normalmente a primeira parte da temporada –, os dirigentes cumpriram com sua palavra e atenderam à súplica do Pequeno Mágico, aceitando negociar sua transferência ao Barcelona agora em janeiro. Claro que o jogador sabia da dificuldade de negociar sua saída ao fim da atual temporada, pois os reds só aceitariam negociá-lo após a Copa do Mundo, da qual ele poderia vir muito valorizado, logo seria pedido um valor ainda maior por ele, o que poderia dificultar as negociações. Outro ponto que pode ter influenciado em sua decisão é que a tensão de definir seu novo rumo e como se dariam as negociações poderia deixa-lo tenso, e prejudicar sua performance durante a disputa de Mundial. Tendo isso em mente, Coutinho tratou de apressar sua ida ao Camp Nou para concretizar seu sonho de uma vez por todas e acabar com uma das maiores novelas dos últimos anos.

Portanto, é inegável que Coutinho agregará muito ao elenco culé. O Barcelona necessitava de um atleta do tamanho de seu tamanho, e ele precisava de um clube da grandeza do Barcelona. É o casamento perfeito. Aqueles que criticam a escolha– além da torcida do Liverpool –, tem que analisar melhor a situação por inteiro, pois não há dúvidas de que a melhor escolha para Phil era deixar o Liverpool rumo à Catalunha. Além disso, toda a luta que o jogador travou com seu antigo clube na tentativa de conseguir que a negociação de sua transferência fosse levada adiante, fez com que ele ganhasse ainda mais respeito da torcida, que já o respeitava como grande jogador, e agora veem nele não só uma grande referência dentro de campo, pois também é mais uma representação de amor á camisa azul grená.

Desejamos que Coutinho tenha todo o sucesso do Mundo com as cores do Barça e também da Seleção. E que seus lances mágicos possam encantar, não apenas o Camp Nou, mas todos os estádios nos quais nossas cores se fizerem presentes. Bienvingut, Phil! É bom finalmente te ter em casa.