É cedo demais para condenar Valverde

| Por João Braga Monteiro

Aqueles que gastam seu tempo exprimindo críticas condenando Ernesto Valverde antes
mesmo de completar seis meses de trabalho, com certeza não se se dedica a analisar o que vem sendo feito dentro de campo.

Surgiu há pouco uma espécie de torcedores saudosistas, que só sabem lamentar o
envelhecimento de Xavi e a saída de Guardiola – mesmo depois de tanto tempo –, vivem a
reclamar da ausência do jogo magistral e do futebol em “estado-puro” que o Barça exibia sobre os gramados, e há quem reclame até mesmo de Messi, por não arrancar da defesa ao ataque mais como antes, empilhando adversários e só parando no fundo do gol. O que aconteceu naquela época (a nível técnico do futebol), dificilmente se repetirá. O que aconteceu a este clube é algo quase impossível, uma união dos jogadores mais absurdamente geniais que já estiveram sobre os gramados, todos “prata da casa”, inclusive Pep, que mesmo estando no banco, era o compositor da sinfonia, habilmente executada pelos maestros Xavi e Iniesta.

Enfim, os tempos são outros, o futebol e jogadores também, por isso, para que sejam bons
torcedores, é fundamental que encarem e aceitem esta mudança. A história existe, e é
gloriosa, mas o que nos esperança é o futuro e devemos torcer para que seja maior ou tão
grande quanto passado.

O principal objetivo de Valverde desde o início da temporada é dar solidez ao time que tem.
Ainda não teve os reforços que pediu, e está a se empenhar para realizar o melhor que pode com o que tem no plantel, e está conseguindo, não apenas os resultados como também a evolução do time dentro do novo modelo de jogo. O Barça já não é mais tão frágil defensivamente como costumava ser. Tem se tornado um time mais compacto sem a bola – fechando bem as linhas e pressionando o adversário com eficiência e gana –, mas tem ido com cautela ao ataque, o que se deve, principalmente, à falta de recursos ofensivos da equipe, afinal, Messi está sendo recuado para ajudar na criação da equipe, Suarez ainda não voltou aos seus melhores dias, Deulofeu não tem correspondido bem às oportunidades que recebe,

Dembelé ainda está se recuperando de lesão e Iniesta já não é mais um menino, não
consegue ter sequência e sofre constantes sobrecargas musculares. Então, estes fatores
fazem parecer que vemos um Barcelona mais "retranqueiro", como muitos dizem, ou que
apresenta um futebol burocrático, traindo o estilo de jogo histórico do clube. Mas o que vemos, é o melhor que pode ser feito no momento, dado que o time ainda está se adequando a uma nova forma de jogar e visto que quase todo o elenco está apresentando desempenhos regulares, sem muitas oscilações.

Portanto, é necessário paciência com o treinador, e o trabalho que vem fazendo, para que não haja críticas precoces – marca registrada dos torcedores brasileiros –, e que os torcedores analisem, estudem, e tentem entender o que se passa dentro de campo e fora de campo para então avaliarem a situação com propriedade, para então formar uma opinião sobre o desempenho do time, ao invés de publicar opiniões infundadas e sem nenhum aspecto construtivo.