Més que uma janela, um pesadelo

| Por Paulo Meneses
Começava a janela de transferências. Pra muitos, com potencial pra ser uma das melhores desde a de 2014, que contou com a chegada de Suarez, Rakitic, Ter Stegen, Claudio Bravo e outros jogadores que formaram mais um elenco “campeão de tudo” naquela temporada. A temporada 16-17 não foi fácil. Atestando a impotência na zona central do campo e uma dependência técnica e tática do trio MSN (algumas vezes apenas M e N), o clube chegaria no mercado com a responsabilidade de reerguer um pilar essencial no jogo da equipe catalã. Mas as obrigações e atestados ficaram apenas no papel.

Nas primeiras semanas de Julho, Marco Verratti era o nome. Já era quase um sonho de longa data da torcida blaugrana. Quem melhor que Xavi para validar a possível contratação do Italiano? Parecia o reforço perfeito! Com a imprensa espanhola pressionando e até onde sabemos, com a ajuda do jogador, o desfecho positivo da suposta negociação parecia perto de acabar. E acabou da pior maneira possível.

Em dias, Verratti que já era tido como jogador blaugrana, que havia se rebelado contra o PSG e que estaria disposto a nem sequer retornar a Paris, fechou a porta para o Barcelona após se desculpar com o clube francês em vídeo e dizer que ficava. A primeira opção do mercado falhava e o Barcelona agora teria que ativar o “Plano B”. Mas não havia plano B. O Barcelona se encontrou no meio do mês sem sua principal opção de reforço e ainda travando uma batalha com o Arsenal para a contratação de Hector Bellerin. Esse que em nenhum momento se mostrou interessado em jogar em um clube que aspirava a tudo. Que entrava na temporada sempre com a força pra ganhar todos os títulos possíveis, diferente do Arsenal.

Diante da negativa do clube inglês e do jogador, após perder a mesma quantidade de tempo que com Verratti, o Barcelona decidiu contratar Nelson Semedo. O português, pra muitos, era até melhor opção que Bellerin, com mais qualidades técnicas e financeiramente mais viável, tendo em conta que o Barcelona ainda “não sabia” da saída de Neymar, e contava com um orçamento ainda “baixo”. E foi essa operação que tinha a possibilidade de mudar de vez a cara do mercado. Tinha.

Os últimos dias do mês de Julho já chegavam e as especulações de que o PSG pagaria a multa até então enorme de Neymar (222 milhões de euros) cresciam descontroladamente. O clube catalão havia recuperado Deulofeu pagando sua cláusula de recompra e tinha seu lateral direito, uma obrigação que deveria ter sido resolvida no mercado anterior. O meio campo continuava sem nenhum reforço, e a saída de Neymar abria uma vaga no ataque que precisava ser preenchida por um jogador quase equivalente ao que o brasileiro era. Uma missão quase impossível.

A janela completou 1 mês e Neymar decidiu deixar o Barcelona. Seguiu seu “sonho” e foi jogar junto aos amigos no PSG, que pagou sua cláusula completa. Com 222 milhões de euros em mãos, o Barcelona conseguia sonhar com grandes nomes para a vaga do brasileiro, mas parece que não contou que os clubes agora tentariam tirar o máximo de dinheiro de qualquer contratação que o clube tentasse. E foi o que aconteceu. Com os primeiros jogos oficiais se aproximando, o Barcelona mirou em Ousmané Dembelé e Coutinho. Dinheiro havia e tempo também para chegar no Joan Gamper já novamente reforçado. O Gamper chegou, e não haviam reforços. A supercopa espanhola também chegou, e não haviam reforços. O time padeceu diante do Real Madrid, que ganhou os 2 jogos sendo superior ao Barcelona em futebol jogado, coisa que não acontecia há muitos anos.

Eis que no meio de toda a correria para contratar um “substituto” para Neymar, o Barcelona decidiu “reforçar” seu meio campo contratando o brasileiro Paulinho, que jogava no futebol chinês. Diante de todas as necessidades da equipe que já se estendiam por temporadas, não parecia o nome “certo” a ser trazido. Não naquela altura do campeonato. A corda apertava no pescoço, e o Barcelona ainda não sabia o que fazer com os 222 milhões que recebeu no começo do mês de Agosto. A imprensa espanhola jogava com os nomes de Dembelé e Coutinho. Fechavam e desfechavam acordos de hora em hora. O tempo passava e o Barcelona parecia estático. Sem força e sem imponência diante dos clubes em que negociava. Eis que surge com força o nome de Jean M. Seri, marfinense que também estava na orbita do clube catalão, segundo a imprensa. Era visto como a opção mais “barata” de Verratti, tendo números melhores na liga em que joga (Ligue 1, França).

O acordo parecia praticamente fechado. Todas as partes sairiam ganhando. O Nice receberia um bom valor pelo jogador, o jogador realizaria seu sonho de jogar pelo Barça, e o Barcelona poderia encontrar a peça que faltava no seu elenco. Mas não aconteceu. Por motivos ainda turvos para os torcedores, o Barcelona “desistiu” da contratação alegando razões técnicas. Já não havia tempo para escolher, e o Barcelona escolheu. Descartou o marfinense e voltou sua atenção por completo a Dembelé e Coutinho. O francês de 20 anos, após criar uma situação insustentável no B. Dortmund, conseguiu fazer com que o clube alemão o negociasse, se transformando na segunda contratação mais cara do futebol até então (150 milhões de euros contando as variáveis).

Restava uma semana. A última semana. O Barcelona esquentaria os motores e prepararia a quarta oferta para Coutinho. Era a cartada final. O reforço que “resgataria” um pouco da ilusão do torcedor e também do elenco que apenas assistiu ao clube falhar em mais uma janela de contratação. A janela que deveria ter sido a melhor do clube desde 2014. E não foi. O Liverpool recusou mais uma vez a oferta e as luzes do mercado se apagaram. Já não havia mais tempo para planos B, C, D e nem Z.

2 de agosto, hoje, o Barcelona tem um técnico recém chegado, a segunda maior contratação do futebol com apenas 20 anos de idade, um meio-campo sucateado, milhões de perguntas e nenhuma resposta. A falta de planejamento da direção, que deveria ter aprendido a lição na última temporada, ancorou o clube mais uma vez. Após uma temporada fraquíssima a nível de títulos e de futebol jogado, a ilusão de ter um time forte o suficiente para brigar por tudo está cada vez mais distante. Contamos com que o elenco renasça e que volte a nos brindar com a surpresa que foi 2014-15, mesmo sabendo que estamos muito mais perto de afundar num reprise de 2013-14.

O pesadelo que se tornou o mercado da temporada 2017-18 do Barcelona terá tempo de assombrar o clube nas 38 rodadas de liga nacional, na competição europeia e na Copa da majestade, o Rei. Um pesadelo que promete não deixar tão cedo um clube impotente, perdido e com o melhor jogador da história do futebol sem renovar.

Deus salve a Rainha... e o Barcelona.