Precisamos falar de Messi


  Por CAMILO PRADO 

Antes de começar o texto, pedimos a benção à D10S, vamos falar de números, aquela coisinha que tomou conta do futebol e que tantos e tantos amam exaltar nos dias de hoje, Lionel Messi, neste ano (falarei apenas de 2016, pois entrarei no mérito Bola de Ouro), em 39 aparições atingiu a marca de 34 gols e 23 assistências, sendo 31 dessas aparições pelo seu, pelo meu e pelo nosso Barcelona, com 28 gols marcados e 18 gols servidos (com maestria absurda, como contra o Bétis), as outras aparições, gols e assistências são pela seleção (8 jogos, 6 gols e 5 assistências), para termos uma melhor noção do quão expressivos são esses números, vamos compará-los com os de Cristiano Ronaldo, que vem fazendo um ótimo ano, com o bônus de ter vencido dois dos títulos mais importantes do ano, Cristiano em 35 aparições, marcou 32 gols e distribuiu 11 assistências, sendo 25 destas aparições por seu clube, onde fez 26 de seus gols e distribuiu 8 de suas assistências, os números restantes foram por sua seleção (10 jogos, 6 gols e 3 assistências). Os números de ambos são absurdos, sendo comparáveis apenas aos de Luis Suárez, porém um tema deve encabeçar esta pauta e é dele que trataremos logo adiante.

Lionel Messi, além de possuir números grandiosos, venceu junto com seu clube dois dos títulos possíveis para esta temporada e levou sua seleção a (mais) uma final de Copa América, porém a eliminação nas quartas-de-final da Champions League para o Atlético de Madrid e a derrota na final da Copa América, com direito a pênalti isolado na disputa de pênaltis, acabaram ofuscando suas grandes atuações.

O tema que eu disse que abordaríamos é aquele que deve ser essencial em qualquer análise, aquele que deve ser muito mais valorizado do que números, e é claro que estou falando das atuações. É fácil lembrar de jogos que ele bateu no peito e levou o time com ele, na Copa América mesmo foram alguns, contra o Panamá que estava impondo dificuldades para a Argentina, em 30 minutos foi amassado por um Lionel Messi em recuperação, Sevilla na final da Copa do Rei viu a Pulga desferir duas assistências lindas para os gols de Jordi Alba e Neymar, o Bétis que foi citado acima, aquela assistência foi incrível, o pênalti contra o Celta, o hat-trick na goleada sobre o Valencia, enfim são várias atuações marcantes em apenas 7 meses, porém muita gente tem esquecido estas atuações apenas devido a um pênalti isolado, um lance que durou menos de 30 segundos apagou todas essas atuações? Todos esses números que insistem em se fixar foram apagados em 30 segundos? Não é plausível que isso aconteça, não quando fomos brindados com um Lionel Messi que apesar da quantidade de gols marcados, em muitas partidas foi um segundo volante, distribuindo lançamentos e viradas de jogo dignas de alguém nativo da posição. Não podemos esquecer isso, seria heresia.


Mesmo com tudo que foi citado acima, lemos espalhado pela internet (maldita inclusão digital) que Gareth Bale e/ou Antoine Griezmann mereçam estar à frente do argentino no pódio da Bola de Ouro, isso sem mencionar Cristiano Ronaldo, como um galês que passou a brilhar a partir de Abril (em realmente altíssimo nível) ou um francês que apesar de, sim, ter feito grandes atuações, não teve atingiu o mesmo nível de tais que Messi, embora tenha sido sim tão decisivo quanto, tendo marcado contra Barcelona, Bayern e Alemanha apenas nos últimos 3 meses, gols feitos não podem elevar a tal ponto os outros 4 meses já passados, podem tirar todos os méritos do maior criador de gols do ano? Então sim, eu tratei nesse texto sobre um tema quase que clichê atualmente, mas que continua sendo alvo de argumentos furados ou convenientes apenas quando visam tirar o argentino de toda e qualquer disputa individual, então vamos pensar melhor e sermos mais justos e imparciais quando formos julgar números ou atuações, porque ou fazemos isso de forma completa, ou não fazemos, pois fazer de forma seletiva, analisando números de um e atuações (selecionadas a dedo) de outro, é perder todo e qualquer direito de fazer tal análise.