Adeus Messidependência


Por Jean Madrid

Não, não é um adeus ao craque argentino, a sua carreira no clube ou algo do tipo. O título, um pouco chamativo, deste post é uma alusão ao que era necessário, e ao que aconteceu de fato com o Barcelona nessa nova era.

Messi é de fato, o melhor jogador do mundo atualmente, quiçá da história, e toda sua genialidade, por maior que seja, com certeza faria e faz a diferença seja no clube em que ele joga, ou na seleção que ele representa. Há algum tempo, depois da era Cruyff, Maradona e Ronaldinho, o Barça passou a ter um jogo um pouco mais coletivo do que individual. Jogar em função de determinado jogador passou a não fazer mais parte do estilo culé de entrar em campo, até que, nos altos de um estilo começando a ser desenvolvido, surgiu o ser humano que mudaria radicalmente essa filosofia: Lionel Messi. A era Messi no Barcelona é extremamente vencedora, que diga os anos gloriosos de Pep Guardiola no comando do esquadrão azul-grená, ou também a breve, e vitoriosa, passagem de Tito Vilanova pelo clube, mas como em qualquer equipe do mundo, uma hora a necessidade de renovação bate à porta. E essa renovação não poderia ter se dado de forma melhor no clube catalão, uma das únicas, e de longe, a melhor mudança nesse novo Barcelona, foi simplismente, o adeus a Messidependência.

Sim, ele é ainda é o melhor jogador do time. Sim, ele ainda decide diversos clássicos e jogos importantes. Mas hoje não, não jogamos SOMENTE em função de Messi. O novo estilo de jogo imposto pelo técnico Luis Enrique nesse Barça totalmente reformulado tem como característica especial e fundamental, a coletividade. O jogo que passa pelos pés de todos os homens dentro de campo pode até lembrar um pouco da filosofia tiki-taka de Guardiola, mas um mero detalhe difere aquele time, desse da atualidade: somos verticais, objetivos e matadores. A força do esquadrão blaugrana de Pep se concentrava no meio-campo, onde ninguém menos que Xavi e Iniesta tomavam conta, a bola percorria um longo, demorado e pensado caminho até chegar aos homens de frente, que muitas vezes, recebiam o gol de “mão-beijada”. Lógico que Messi, Eto’o e Henry faziam suas jogadas sensacionais, partiam pra cima, criavam e definiam jogadas sozinhos, mas o real combustível vinha desse jogo extremamente profissional e calculado feito pelos meio-campistas.

Hoje, a arma secreta do Barcelona já soma mais de 110 gols na temporada, e surge como alavanca para mais uma época gloriosa na Catalunha. Messi, Suárez e Neymar são o cérebro, os braços, as pernas e o coração do time. O jogo todo é em função, se não dos três, de algum deles. Dentro das quatro linhas, o trio ofensivo exerce como poucos os mais diversos papéis, coadjuvantes ou personagens principais, todo o fluxo da equipe passa pelos pés dos sul-americanos. Não é mais uma Messidependência, é um ataque-dependência.

Mesmo com esse jogo totalmente voltado aos homens de frente, os demais jogadores conseguem, de certa forma, aparecer, justamente naquilo que os atacantes não têm como característica: a marcação. E é ai que a coletividade impera, é nesse exato momento, o da “retranca” que o coletivo pede passagem dentro da partida. É nessa hora que Messi e Neymar voltam a linha de meio-campo, montando um esquema um pouco parecido com um 4-1-4-1, e esperam o bote certo para puxar o contra-ataque. Claro que, depois de uma recuperação de bola dos marcadores, que tem nos meio-campistas, Iniesta e Rakitic, a chave de engate da criação de jogadas rápidas.

Ser dependente de apenas um homem não é mais uma realidade no Barcelona, hoje dependemos de um para guardar a meta, quatro para manter a defesa sólida e consistente,

três para povoar e calcular jogadas no meio-campo, e outros três para matar e definir as partidas. Não é mais uma Messidepenência, hoje o time todo depende de todo o time.