Calma Neymar, calma!



Por Jean Madrid

Neste final de semana presenciamos – mais uma vez – o retrato da impaciência e insatisfação de Neymar após ser substituído depois de marcar e dar uma assistência contra o Sevilla pela Liga Espanhola. Analisando criticamente, realmente não havia motivo para tirá-lo de campo, o brasileiro comandou as jogadas ofensivas ao lado de Lionel Messi, e participou dos dois gols que praticamente haviam encaminhado o jogo. A mudança correta, talvez, seria optar por tirar Luis Suárez, que não vinha atuando bem, perdeu chances reais e foi pouco participativo. O foco da crítica não é em cima do erro de Luis Enrique, mas sim, na atitude infantil e ridícula do ponta esquerda blaugrana.

Há pouco mais de dois anos, quando Neymar vivia seu auge no Santos, o brasileiro, hoje capitão da seleção brasileira, era unânime, praticamente intocável. Os números mostram a verdadeira importância do astro na equipe litorânea: Nas últimas três temporadas dele no Santos, ele foi substituído antes do fim do jogo apenas uma vez. A comparação pode ser exagerada, mas o peso é relativamente o mesmo, Messi no Barcelona saiu de campo só 15 vezes antes do apito final somando suas últimas seis temporadas.

A lógica parece um pouco falha, para um jogador que chegou como uma grande revelação ao clube catalão, entretanto, absolutamente nada justifica a atitude, no mínimo infantil do brasileiro ao se deparar com uma escolha do comandante da equipe. Neymar não está mais no Santos, e muito menos no Brasil, no Barcelona, assim como em toda a Europa, poucos jogadores têm uma influência real no time que jogam. E no caso da equipe catalã, essa influência é, incontestavelmente, de Lionel Messi. Ninguém além dele tem o direito de reclamar e/ou contestar uma atitude, muito menos quando ela é tomada por um superior direto do jogador.

Por mais que o camisa 11 vinha sendo fundamental no jogo, ainda há uma hierarquia a ser seguida e respeitada dentro do Barcelona – assim como em qualquer clube do mundo -, e para um jogador que ainda está escrevendo sua história, parece ser um tanto quanto precipitado querer bater de frente com uma ordem direta.

Neymar é sim um dos melhores jogadores do Barça, e do mundo, mas como ele meso reivindicou depois de um dos jogos contra o Atlético de Madrid nesta temporada: “(...) por mais que você não goste de uma pessoa, existe uma coisa chamada respeito”. E o próprio jogador entra em contradição ao apresentar uma atitude totalmente contrária no caso de Luis Enrique.

A joia brasileira precisa se adaptar a qualquer forma de gerir e comandar o time em que joga. Contestar uma decisão superior, não cabe a ele, cabe à diretoria e ao próprio treinador. Neymar tem um futuro brilhante pela frente, nisso todos concordamos, mas são pequenos atos, que, por menores e mais insignificantes que sejam, acabam causando uma grande polêmica. O que podemos, e devemos reivindicar do capitão brasileiro, é calma, nada mais, nada menos, que calma. Calma Neymar!