Análise: Messi e a ponta-direita



Por Jean Madrid

A era Luis Enrique no Barcelona trouxe diversas mudanças positivas para a equipe em pouco tempo de trabalho, entre as mais significativas, vale ressaltar a postura da equipe, as novas armas, como o contra-ataque, o abandono, de certa forma, da preferência à posse de bola, a efetividade defensiva de todos os jogadores, e o mais importante, o posicionamento. E é nesse último aspecto que entra a verdadeira revolução do Barcelona de Luis Enrique da atual temporada.


O mundo todo já sabe que Lionel Messi é o homem referência do Barça, estando ou não em campo. O que ele fez, e faz até hoje, é algo incomum, e praticamente, inalcançável. Messi passou os últimos cinco anos atuando como um “falso 9”, posição indispensável de uma equipe que se prendeu a uma postura tática por mais de meia década, e se recusava a deixar para trás o estilo de jogo que os consagrou por muitos anos. Mas, como com qualquer jogador que se preze, a mudança, alguma hora, começa a ser essencial. E Luis Enrique ousou e colheu frutos espetaculares, devido a essa opção em trocar o posicionamento de, ninguém mais, que o cérebro do time.


Leo atualmente é, como já foi dito anteriormente, o cérebro do time, mas, mais que isso, ele é o faz tudo de uma equipe que tem na coletividade o seu referencial. Messi é, na teoria, o ponta-direita do ataque catalão, mas na prática, ele é o elemento surpresa, e convenhamos, poucos, ou melhor, nenhuns times têm uma arma tão decisiva e genial como o Barcelona nesse aspecto. O camisa 10 flutua por todo o campo de jogo, chegando até a ajudar na marcação algumas vezes, porém, o seu papel de origem é a criação e a conclusão. E é isso que diferencia o Barça das outras equipes: o poder de criatividade e de finalização. Quando Leo começa a jogada, ou ele mesmo termina, ou ele serve, da forma que só ele sabe servir, um companheiro ofensivo que, muito devido à assistência dada pelo argentino, dificilmente perde o gol.


A mudança do falso 9 para a ponta-direita fortaleceu a equipe de diversas formas, mas o efeito mais importante foi, claramente, a criação de um novo estilo de jogo. O Barcelona abandonou o velho e ultrapassado tiki-taka, e se renovou em relação ao futebol, hoje, a forma com que o time catalão joga é a mais limpa e objetiva possível. Numa mescla de posse de bola – que não é essencial para o desenrolar do jogo do Barça –, toques rápidos, movimentação e velocidade, o clube da Catalunha se reinventou, e mostrou o quão difícil é fazer a tal reinvenção depois de se apegar muito a um estilo. Entretanto, quando essa adaptação passa, e o jogo começa a fluir, não há marcação ou potência defensiva que segure um time tão bem entrosado e inteligente como o Barcelona de Luis Enrique é.