Saudades, Dom Andres







Por Jean Madrid

Não é de hoje que se nota a fase ruim de Andres Iniesta, o meio-campista blaugrana, ainda que essencial e indispensável, passa por um momento conturbado, delicado e que deve ser apurado da forma mais profissional possível para que o espanhol possa voltar a atuar em alto nível, refazendo os passos vitoriosos que teve no Barcelona de Guardiola e cia.

É certo que com o passar do tempo a idade vai pesando e a forma física começa a ser alvo de controvérsias, mas no caso de Iniesta, nada disso (pelo menos é o que se especula) influi e explica seu baixo rendimento. Na temporada atual, o autor do gol que deu o título mundial a seleção espanhola em 2010 soma míseros 3 gols e 3 assistências, sendo que nem um desses números corresponde a participação efetiva na Liga Espanhola, Andres na BBVA não tem nenhum gol e nenhuma assistência. É incrivelmente assustador pensar que um dos maiores meio-campistas de todos os tempos hoje é menos efetivo que uma meia de um clube prestes a ser rebaixado na Espanha. Pasmem, isso não é opinião própria, mas sim um fato verídico, que os números e as estatísticas revelam.

Entretanto, o camisa 8 ainda é indispensável. Pelo simples fato dele cumprir com excelência máxima o papel que lhe é imposto no esquema de Luis Enrique. A tática do treinador é simplesmente deixar que os homens de frente resolvam, depois do primeiro passe sair dos pés de Busquets, Rakitic e Iniesta, ou seja, os homens de frente são os articuladores e, também, os definidores das jogadas ofensivas do time catalão. Claro que nada impede que os meias subam e apoiem, coisa que eles até fazem, mas com a eficiência dos atacantes, fica melhor pensado que os centro-campistas apenas sejam os homens que auxiliam na construção das jogadas, e não os jogadores que dão o passe decisivo. A influência de Rakitic e Iniesta na armação é evidente, contudo seu papel abrange também a questão da marcação e auxílio, coisa que há muito tempo não se via no Barcelona. O Barça era um time dividido em dois grupos: os que atacavam, e os que defendiam. Hoje, isso se transformou a partir de que, cada jogador, tem sua atuação amplamente definida e esquematizada de forma a impor várias funções para os diversos tipos de posição que o Barcelona dispõe.

Na essência da crítica, Andres Iniesta pode não estar vivendo a sua melhor fase, todavia ele ainda é uma peça fundamental para dar gás ao time. O Barça de Luis Enrique joga em equipe, e mesmo sem a participação efetiva de alguns jogadores, sua função, e seu papel dentro de campo estão sistematicamente definidos, explicados e exemplificados. Hoje, o clube azul-grená não depende da genialidade individual de suas peças, mas sim do esforço e do cumprimento das funções estabelecidas pelo técnico. Andres é um dos maiores jogadores do mundo, e de certo é importantíssimo para qualquer equipe. Sorte de termos ele no Barça!