A misteriosa era Luis Enrique




Por Jean Madrid

O título desse post pode parecer um pouco misterioso, inquietante, e dar um ar místico ao assunto do qual iremos tratar - e é essa a intenção - , pode parecer brincadeira, ou algo irônico/sarcástico, mas todos havemos de convir que nada melhor para entender a saga de um técnico, do que discorrer, explicar, exemplificar e dar alguns “pitacos” sobre sua filosofia dentro de campo.

Luis Enrique e sua “Era” é o assunto que divide multidões, faz críticos se desentenderem e brinca com os corações dos torcedores blaugranas mundo a fora. Lucho e sua filosofia desde sua chegada ao clube catalão são discussão do primeiro minuto de jogo ao último suspiro do campeonato, mas uma coisa há de ser ressaltada, a tal tática das rotações vêm dando certo, e muito além disso, vêm fazendo os jogadores renderem muito mais.

Antes das condenações que milhares de leitores já estão querendo fazer. Expliquemos:

O inicio

Impressionante no começo e conturbado daí pra frente, isso pode resumir a primeira metade da temporada 2014/15, onde Luis Enrique começou a exercer o cargo de treinador no Barcelona. As táticas criticadas, os métodos e filosofias taxados como ultrapassados, e as rotações malucas – que deram, e ainda dão muito o que falar – sendo alvo de imensos julgamentos e injúrias. Luis agradou até certo ponto em seus primeiros seis meses, começou arrasador e foi caindo de rendimento. Em vários jogos não repetia a escalação, e não definia os titulares para as partidas importantes. Chegou a usar um 3-4-3 mirabolante contra o PSG, pela primeira fase da Champions League, que deu o que falar, os comentários eram: “Se hoje não der certo, adeus Lucho.”. E não é que deu?
Entretanto, alguns tropeços e o pouco entrosamento da equipe não foram capaz de conter a crise que se estabeleceu, depois da derrota para o rival Real Madrid, e o seguinte tropeço contra o Celta de Vigo, ali ficou uma mancha difícil de ser exterminada pelo time, a esperança da conquista da Liga Espanhola parecia cada vez mais distante.

Mas aí, veio 2015...

2015, o recomeço

Real Madrid campeão de tudo na temporada passada, venceu o Barcelona pelo primeiro turno da Liga, Cristiano Ronaldo melhor do mundo, os “galácticos” estão de volta. Ah, como essas manchetes viraram rotina...
O Barcelona parece que cansou de ver o time madrileño estampando todas as capas dos meios de comunicação. E a tática de Luis Enrique começou a dar certo. Já era hora, não?
A derrota para a Real Sociedad no primeiro jogo do ano, acendeu a luz do alerta, era hora de mudar, mudar muito, mas Lucho, seguiu firme na ideia de um time bem articulado, sem cansaço, forte, e que aguentaria os jogos importantes.
Tudo começou a mudar a partir do confronto contra o Atlético de Madrid pela Liga Espanhola, o adversário que não havíamos vencido em seis ocasiões na temporada passada, virou um freguês de luxo, e as grandes e firmes vitórias consecutivas, estabeleceram que a partir daquele momento o Barcelona era outro time, mudado, forte, competitivo e, novamente, uma potência mundial.

O trio composto por Messi, Suárez e Neymar vêm deixando rastros por onde passa, o meio-campo ainda um pouco sem identidade é fundamental no esquema proposto pelo comandante espanhol, e a zaga, hoje mais eficiente do que nunca, é sinônimo de segurança e precisão.
Luis Enrique, mudou totalmente a forma de jogar do time da Catalunha, o fantasma deixado pela Era Guardiola parece extinto, e o Barça caminha soberano para conquistar o mundo novamente. As rotações, tão criticadas, têm como fundamento dar gás para os jogadores, deixar-nos mais dispostos, mais bem preparados, e cada vez mais eficientes. É simples, com uma semana de descanso, um jogador rende a cada jogo mais. O que antes era contestado, hoje mostra resultado.


Luis Enrique pode não ser unânime entre os torcedores azuis-grenás, mas mudar a forma de jogar de um time que vinha sendo recomposto e organizado aos poucos, é trabalho de um bom profissional. Não sabemos se ao final da temporada, o Barcelona se sagrará campeão de algo, mas sabemos que Lucho e sua filosofia “maluca” deram certo, e apesar dos apesares, o estilo de jogo do Barça e a dependência que ficou pós Era Guardiola, hoje está apagada, e o que se vê é um novo time, o time da Era Luis Enrique, capaz de usar o contra-ataque mesclado com a posse de bola, e surpreender ainda mais. Coisa que para um time apático que foi depois do comando de Pep, parecia difícil de mudar. Luis Enrique conseguiu, mesmo que um pouco. O Barcelona agradece.