11 de setembro, dia da Catalunha



A Catalunha comemora hoje, dia 11 de Setembro o Dia da Catalunha. 


A data não é propriamente de celebração. Corresponde ao dia em que a Catalunha capitulou, depois de estar cercada durante 14 meses, entre 1713 e 1714, pelas forças do rei Felipe V.

Felipe V, ou Philippe, Duque de Anjou, neto do rei da França, Luís XIV, fora escolhido pelo rei Carlos II como seu sucessor, no impedimento do pai de Philippe e de seu irmão Louis (mais tarde, pai do rei Luís XV, da França), sucessores mais diretos ao reino da Espanha, mas esta parte da história é complicada e não vem agora ao caso. A Catalunha perdera o apoio que tinha do reino da Austria e, assim enfraquecida, a sua própria independência, passando a ser governada pela Espanha.

Em rapidíssimo resumo, o Estado catalão foi criado em torno do Condado de Barcelona no Século IX, com o primeiro Conde de Barcelona designado em 878. A Catalunha e o Reino de Aragão estiveram unidos por laços matrimoniais, com o casamento de Ramón de Berenguer III, Conde de Barcelona, com Petronila de Aragão, no Século XII.



Entre expansão territorial que compreendeu, durante uns tempos, as Baleares e o reino de Valencia, a Catalunha passou por um período de grande crescimento e expansão marítima entre o final do Séc. XIII e o início do Séc. XIV. Em meados do Século XV, houve uma guerra civil que durou dez anos e resultou no esgotamento de recursos e perdas territoriais.

Com o casamento de Fernando II de Aragão com Isabel de Castilha ocorreu a união das duas dinastias, Aragão e Castilha, após a morte dele. Fernando de Aragão promoveu reforma das instituições catalãs e recuperou territórios. No Séc. XVI, houve uma fase de recuperação econômica e certa tranquilidade, coisa rara naquela época. Tudo durava pouco.

Com o crescimento da importância e do poder do reino de Castilha, que financiara Colombo e que passara a colher os frutos da descoberta da América, a vontade expansionista tomou conta. O rei Carlos I tinha o exército mais poderoso e Castilha era um dos reinos com maior população daquela época, com seis milhões de habitantes. Mas, como disse, nada durava muito. Entre crises e crises, os reinados acabaram unificando-se, a partir de 1580.

A primeira tentativa de independência catalã ocorreu em 1640, em virtude de crise econômica e tributação pesada por parte de Castilha. E tome mais guerra civil, desta vez entre catalães ‘realistas’ e índependentistas’.

Em 1641, a Catalunha procurou converter-se em república independente por meio de acordo com a França e sob a sua proteção. Terminada a Guerra dos 30 Anos em 1648, as forças do rei Felipe IV ficaram liberadas para intervir na Catalunha secessionista. Barcelona foi sitiada em 1651 e, após um ano, sofreu perda territorial parcial.

Entre partilhas e anexações efetuadas entre Felipe IV e Luís XIV, a Catalunha perdeu o Condado do Roussillon, hoje francês, e um pedaço da Cerdanya, nos Pirineus. A partir da instauração da dinastia Borbón com Felipe V, em 1700, a coisa degringolou. A coroa de Aragão não reconhecia a Felipe V e sim a Carlos III, instalado em Barcelona. E tome guerra, na Europa.

Nos vais-e-vens da guerra, a Grã-Bretanha abiscoitou Gibraltar e a ilha de Menorca, Carlos III perdeu o interesse pela causa catalã e preferiu assumir o trono da Áustria. Sem Carlos III e sua proteção, sozinha e sem recursos militares suficientes para resistir à invasão do exército franco-castelhano de Felipe V, Barcelona capitulou no dia 11 de setembro de 1714.

Enfim, houve mais reviravoltas ao longo dos dois séculos seguintes, até a chegada de Franco e a guerra civil. Além da perda das liberdades democráticas, Franco proibiu o uso do catalão. Somente após sua morte é que o idioma voltou a ser língua própria a partir do Estatudo de Autonomia da Catalunha, de 1979, convivendo com o idioma nacional espanhol.

Ou seja, a causa catalã é muito antiga.